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Estância,21/07/2024

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A política daqueles que nem fedem, e nem cheiram

Quem dá mais?


A política daqueles que nem fedem, e nem cheiram

No tranquilo interior do país, onde as árvores são mais
altas que os prédios e o ritmo da vida parece seguir uma cadência própria, a
política local sempre teve seus momentos peculiares. Nas eleições municipais
que se aproxima, um grupo de aspirantes a vereadores de um partido se viu
diante de uma encruzilhada peculiar: sabiam que não tinham chance alguma de
conquistar o cargo, mas ainda assim prometiam lançar suas candidaturas. O grupo
tem nomes fortes, e estes, estão calados, pois sabem da certeza da vitória. Já
os demais...

 

Entre risos discretos e olhares de cumplicidade, eles se reúnem
em cafés e esquinas, discutindo estratégias mirabolantes para atrair alguns
votos. Era uma espécie de circo silencioso, onde cada um tentava convencer os
outros de que suas ideias seriam revolucionárias para o município. No entanto,
no fundo de suas mentes, pairava a certeza de que estavam ali não para
transformar, mas para aproveitar.

 

"Todo fruto tem sua parte boa", dizia um deles,
entre goles de café amargo. "E nós somos a parte que não fede nem
cheira", completava outro, com um sorriso resignado. Era um grupo de
rostos conhecidos, habituados aos bastidores da política local, onde acordos de
bastidores e favores trocados movimentavam mais do que discursos inflamados em
comícios.

 

A estratégia era clara: sabiam que a oposição ao grupo
dominante garantiria uma fatia do bolo financeiro das eleições. Era como se
preparassem para colher as migalhas deixadas pela mesa principal. Candidaturas
que não despertavam paixões, nem críticas acaloradas; eram apenas lá, como
peças de um jogo cujo resultado já estava escrito nas entrelinhas.

 

Enquanto a cidade seguia seu curso tranquilo, com seus
problemas cotidianos e suas belezas singulares, aquele grupo de candidatos
quase invisíveis desempenhava seu papel no teatro da democracia. Entre sorrisos
e apertos de mão ensaiados, aceitavam com serenidade a inevitabilidade da
derrota eleitoral, mas com a esperança de, ao menos, levar consigo um pouco do
tesouro que a política local sempre oferecia aos seus participantes mais fiéis.

 

Assim, a campanha prossegue, entre santinhos mal impressos e
comícios vazios, onde os discursos se perdiam no ar morno do entardecer.
Naquela cidade do interior, a política se desenrolava como um filme de baixo
orçamento, onde todos conheciam o roteiro, mas poucos se importavam em mudá-lo.























Viva a democracia! Um salve para a hipocrisia.




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