Depois de comparecer ao tribunal de Pozuelo de Alarcón para prestar depoimento diante da acusação de fraude fiscal, Cristiano Ronaldo evitou contato direto com a imprensa, mas veio a público através de um comunicado oficial. O astro assinou uma nota em que divulgou algumas declarações dadas à juíza Mónica Gómez Ferrer durante uma hora e meia.

– A Fazenda espanhola conhece em detalhes minhas receitas, pois nós entregamos. Jamais escondi nada, nem tive a intenção de fraudar impostos. Sempre faço minhas declarações de impostos de maneira voluntária, porque penso que todos temos que declarar e pagar impostos de acordo com nossas receitas. Quem me conhece sabe o que peço a meus assessores, que tenham tudo em dia e corretamente pago, porque não quero problemas – disse CR7 durante o depoimento, segundo o comunicado.

A nota oficial afirma que Cristiano lembrou à juíza que nunca teve problemas tributários em Portugal e na Inglaterra e que criou uma estrutura para repassar seus direitos de imagem a uma empresa quando defendia o Manchester United, entre 2003 e 2009.

– Quando fechei com o Real Madrid, não criei uma estrutura especial para gerenciar meus direitos de imagem, só mantive a que gerenciava quando eu estava na Inglaterra. Os advogados que o Manchester United me recomendou a criaram em 2004, muito antes de eu pensar em vir para a Espanha. A estrutura foi a que era comum na Inglaterra, foi comprovada pela Fazenda inglesa, que ratificou que era legal e legítima – afirmou o astro no tribunal.

O comunicado continua a explicação apontando que CR7 manteve a mesma estrutura com poucas diferenças: substituiu uma empresa inglesa por outra espanhola e passou a cobrar os direitos de imagem pessoalmente. Segundo a nota, “nenhuma dessas mudanças tinha como finalidade iludir o pagamento de impostos ou ocultar receitas” e que as alterações trouxeram “maior transparência”. Apenas em 2015, diz a nota, o astro passou a ceder seus direitos de imagem a uma terceira pessoa, pagando os impostos por isso.

 

O texto destaca que CR7 é “um dos contribuintes individuais que mais paga em todo país” e afirma que o jogador “se mostrou tranquilo e satisfeito por ter podido colaborar com a Justiça”. O astro também pediu que “deixem os tribunais trabalhar com liberdade e sem pressão”.

– É o momento de deixar a Justiça trabalhar. Eu acredito na Justiça e espero também que neste caso haja uma decisão justa. Para evitar pressões desnecessárias ou contribuir para um juízo paralelo, decidi que não voltarei a fazer declarações sobre este assunto até que se produza uma decisão – finalizou o jogador no comunicado.

A defesa de Cristiano Ronaldo

No comunicado divulgado pelo staff de CR7 também está incluída uma explicação de como a defesa do jogador está agindo para evitar punições diante da denúncia do Ministério Público da Espanha, dividida em duas partes. Na primeira, os advogados apontam que os valores contestados pela Fazenda da Espanha estão qualificados de forma equivocada: a inspeção apontaria que estes valores teriam vindo de sua atividade econômica principal, e não de direitos de imagem. Por isso, a denúncia contra Cristiano não teria fundamentos.

– Os assessores de Cristiano Ronaldo consideram que a classificação que propõe a inspeção é errônea, ao ser contrário ao teor literal da lei aplicável aos impatriados (estrangeiros que trabalham em outro país) – como era o caso de Cristiano Ronaldo no período de 2010 a 2014 – à jurisprudência e à doutrina administrativa existente a respeito. Por isso, confiam que os juízes suspendam essa denúncia ao não existir cota fraudada – diz o texto.

Na segunda parte, a defesa explica que CR7 fez apenas uma declaração, no exercício de 2014, para quitar os impostos devidos pelos direitos de imagem de 2011, 2012, 2013 e 2014. A Fazenda considera que o pagamento deveria ter sido feito ano por ano, mas os advogados apontam que não houve omissão de qualquer valor e que trata-se de “uma mera diferença temporal”.

 

– Em termos econômicos, esta diferença favoreceu a Fazenda espanhola, como consequência do aumento de tipos de cotas (maiores em 2014 do que nos anos de 2010 e 2011) e a evolução do câmbio (com forte valorização do dólar, divisa em que se cobrou uma parte significativa dos direitos). Se fossem declaradas as rendas a cada ano, a quantidade a ser paga teria sido menor – fecha o comunicado.

Fonte/Foto: globo.com